Voluntariado

Você sabia que o trabalho voluntário teve início no século XV, com os portugueses? Foi quando organizações religiosas introduziram esse tipo de trabalho em instituições ligadas à saúde, a exemplo das Santas Casas. No Brasil, o voluntariado começou em 1543 com a fundação da primeira Santa Casa do país, em Santos.


Desde então, e devido ao próprio perfil das instituições filantrópicas, que historicamente sempre contaram com o apoio e respaldo da comunidade, as Santas Casas têm se apresentado como uma excelente opção a atuação de voluntários dispostos a doar parte de seu tempo ao próximo, numa iniciativa que incentiva a participação da comunidade em atividades que contribuam para o exercício da cidadania, desenvolvimento da sociedade e compromisso com a humanidade.


Em sua concepção, o voluntariado é uma porta de acesso para a vivência de valores. Não visa remendar o errado, mas mudar a essência das relações sociais, transformando aquele que recebe e também aquele que se doa.


Na Santa Casa de Piracicaba, por exemplo, os voluntários somam mais de 100 pessoas, entre homens e mulheres de diversas faixas etárias, que desenvolvem as mais variadas ações, criteriosamente selecionadas pelo Programa de Voluntariado do Hospital, exaltando o caráter humanitário das atividades.


São exemplos o Grupo de Manutenção do Riso, a Capelania Evangélica, a Pastoral da Saúde, o Grupo de Mulheres Vicentinas e Contadores de História. Outro grande exemplo de voluntariado na Santa Casa é aquele exercido pelos membros de sua Mesa Diretora, composta por um provedor, um vice-provedor, quatro diretores, seis mesários e seis suplentes, além dos membros do Conselho Consultivo da Irmandade.


Apesar da especificidade dos projetos, todos têm em comum a expectativa de contribuir para que o período de internação hospitalar gere menos ansiedade, de forma que o paciente sinta-se mais tranqüilo e receptivo, processo que contribui inclusive para reduzir o estresse e acelerar a sua recuperação.


Manutenção do Riso - Eles são advogados, donas de casa, enfermeiras, projetistas e funcionários públicos entre uma série de outros profissionais que, periodicamente, se vestem com o colorido contagiante das vestimentas de palhaços e percorrem as unidades do hospital inventando brincadeiras, cantando, dançando e distribuindo bolinhas de sabão como se fossem complementos medicamentosos “prescritos” pelos mestres da alegria para restituir e consertar sorrisos”.


Com esta missão, eles dão vida ao Grupo Manutenção do Riso, instituído em 1999 para criar novas e melhores expectativas nos coração das pessoas hospitalizadas e também no de seus familiares, amigos, visitantes e profissionais da saúde, auxiliando a superar possíveis traumas decorrentes do processo de hospitalização. As atividades contam com o elemento surpresa, pois ninguém espera que, de repente, um palhaço/clow adentre pela porta de uma unidade de internação hospitalar. Só a visão do grupo já provoca risos.


Na Santa Casa, a visita do Manutenção ocorre uma ou duas vezes por mês, durante todo o ano. Muitos já fizeram parte do grupo, que atualmente reúne 25 pessoas cadastradas; nove delas atuando com mais freqüência, a exemplo dos funcionários Marli e Adelmo, para quem é bom fazer o bem, mesmo sem saber a quem.


Capelania Evangélica - Registrada junto à Associação das Capelanias Evangélicas de São Paulo, entidade presente em mais de cem hospitais do Brasil e com representatividade em outros dez países, a Capelania Evangélica da Santa Casa de Piracicaba foi fundada há dez anos para atuar especificamente na Instituição. Gradativamente, porém, expandiu seu trabalho e, atualmente, concede apoio espiritual também em outras instituições de saúde. São 19 voluntários empenhados em levar conforto espiritual no leito do paciente hospitalizado, compromisso extensivo aos familiares e também aos profissionais da saúde.


O trabalho baseia-se no conceito de atendimento integral, segundo o qual o paciente aceita melhor a hospitalização e tem mais chances de um rápido restabelecimento quando tem contemplados também aspectos da saúde emocional e espiritual. Com base neste preceito e com apoio da Sociedade Bíblica do Brasil, a Capelania distribuiu somente no ano passado mais de 8.700 publicações no Hospital, como bíblias e temas literários voltados ao consolo.


Pastoral da Saúde - A Pastoral da Saúde da Santa Casa de Piracicaba foi implantada em 1974 com apoio das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria. Hoje, a Pastoral inclui entre seus inúmeros projetos ações voltada à humanização da assistência, através da concessão de apoio espiritual no leito do paciente hospitalizado que aceitar ou solicitar a visita de seus integrantes


No Hospital, eles somam 60 voluntários que realizam, em média, 100 visitas diárias aos enfermos num trabalho coordenado pela Irmã Franciscana Davina Bernardi. A atuação da Pastoral se dá com base no conceito do atendimento integral, por meio do qual o paciente aceita melhor a hospitalização e tem maior chance de um rápido restabelecimento quando tem considerados aspectos voltados a sua saúde física e também espiritual.


Embora as ações da Pastoral estejam embasadas nos princípios cristãos da Igreja Católica, a relação de seus agentes com pacientes e familiares de outras crenças sempre foi harmonioso, respeitando-se a fé e a crença de cada indivíduo.


Vicentinas - As Vicentinas, como são conhecidas as mulheres que prestam serviços voluntários confeccionando roupinhas para bebês carentes na Santa Casa de Piracicaba, somam 31 anos de trabalho e dedicação ao Hospital. Tudo começou em 1980, com apenas cinco mulheres que ousaram acreditar no efeito multiplicador da solidariedade. Atualmente, elas somam 25 voluntárias que se reúnem todas as quartas-feiras à tarde no Hospital, onde trabalham na confecção de enxovais para bebês nascidos na Maternidade “Amália Dedini”.


Entre tesouras, tecidos e boas conversas, elas conseguem produzir até 180 enxovais todo o ano, material que se soma aos kits de higiene pessoal montados pelas próprias Vicentinas às gestantes atendidas no Hospital pelo Sistema Único de Saúde- SUS. Cada enxoval contém 45 peças, entre cobertor, toalha de banho, fralda de pano, fraldas descartáveis, mijãozinho, casacos de flanela, pijama, camisas de algodão, calças plásticas, casaco de lã, manta, macacão, sapatinhos de lã, meias, conjunto completo de malha e bori.


Para desempenhar esse trabalho, as Vicentinas dependem de doações de colaboradores e promoção de eventos, como rifas e almoços, já que, por ano, são gastos em média R$4 mil somente na compra de fraldas.


Brinquedoteca - Com a proposta de garantir um espaço destinado ao ato de brincar e, assim, colaborar no tratamento e no processo de recuperação da criança hospitalizada, as Brinquedotecas instaladas nas Pediatrias da Santa Casa de Piracicaba funcionam diariamente das 8 às 18 horas com atividades lúdicas coordenadas, em parte, por estudantes voluntários do Ensino Médio do Colégio Dom Bosco.


Cientes do poder terapêutico das brincadeiras, os alunos são orientados a promover atividades com jogos, pinturas, histórias e músicas para ocupar parte do tempo da criança, ajudando-a a se adaptar ao contexto hospitalar, onde ela é privada da convivência familiar, da escola, de sua casa e de seus brinquedos.


O local, montado especificamente para esta finalidade, é decorado com brinquedos e motivos infantis, descaracterizando o ambiente hospitalar com base no conceito de que, ao brincar, a criança se expressa e se recupera mais rapidamente. Isso porque, com a Brinquedoteca, é possível promover a passagem do tempo de forma mais tranqüila, diminuindo o estresse da criança e contribuindo para redução do período de internação hospitalar.


Contadoras de história - Tendo-se como foco a implantação de atividades que preencham de maneira lúdica e criativa o período de internação hospitalar das crianças que permanecem nas Pediatrias da Santa Casa, as Contadoras de História que desenvolvem atividades voluntárias no Hospital parecem ter a fórmula perfeita para adentrar o universo infantil e transformá-lo numa grande e incrível aventura.


Tudo parte do princípio de que uma história bem contada deixa marcas profundas em quem a conta e em quem a escuta, mudando seu estado de espírito e vida num processo fantástico que induz a criança a incursionar o mundo da fantasia e, assim, transpor as paredes do Hospital de forma a estabelecer um clima de êxtase e alegria que funcionam como um elixir a toda e qualquer doença.


A performance acontece todas as segundas-feiras, das 19h30 às 20h30, quando oito contadoras de história se revezam na missão de proporcionar momentos de extrema descontração às crianças, que evidenciam sua satisfação com um sorriso enorme estampado no rosto e a vontade de abraçar o mundo e, assim, ser abraçada por ele numa troca repleta de entusiasmo que gera conforto e bem estar.