O início
da construção do prédio do hospital
foi no ano de 1861, sendo que a conclusão da
obra deu-se em meados de 1869. A demora da conclusão
da obra foi em conseqüência de um período
de desanimo que tomou conta dos envolvidos no projeto
de construção do hospital, principalmente
por parte do irmão José Pinto de Almeida
que havia ficado viúvo. O hospital passou por
dificuldades financeiras vindo a se restabelecer. Mas
foi na provedoria do doutor Rocha Conceição
que o hospital começou a funcionar. Em 20 de
julho de 1883, foram abertas as enfermarias do hospital
para receberem os doentes pobres que precisavam de tratamento.
Provedoria de José Fernando de Almeida
Barros
Entre os anos de 1887 e1889, José
Fernando de Almeida Barros conseguiu tirar a instituição
do período crítico de instabilidade que
a levaria em breve, ao fechamento do hospital. Os modestos
rendimentos do patrimônio e a indiferença
da caridade particular levaram a mesa administradora
a cogitar o fechamento do jornal. Essa proposta deixou
o provedor inconformado que para livrar o hospital do
fechamento chegou a “esmolar de porta em porta”,
conseguindo uma boa quantidade em dinheiro, gêneros
alimentícios e roupas.
Nessa época o governo provincial fez a primeira
contribuição a Santa Casa. O patrimônio
cresceu ainda mais, com o recebimento de quotas de loterias
e com a venda de algumas ações da Estrada
de Ferro Ituana, deixadas por José Pinto de Almeida.
Provedoria de Antonio Teixeira
Mendes.
Sucedido
por Miguel Antonio Gonçalves de Arruda, Antonio
Teixeira Mendes foi provedor de 1891 à 1898.
Destacam-se nesse período, a construção
do necrotério, pelo irmão Major Antonio
Barbosa Ferraz Júnior, da doação
à Irmandade do “Teatro Santo Estevam”,
e de donativos para a criação do Hospital
de Alienados, pelo Barão de Rezende
Provedoria do Sr.Barão
de Rezende
O
Sr. Barão de Rezende exerceu o cargo de provedor
de 1898 até a época de seu falecimento
em agosto de 1909. Durante sua gestão, a administração
do Asilo de São Lázaro passou a ser feita
pela Irmandade da Santa Casa, a parte Central do hospital
passou por reforma, implantou-se a enfermaria para mulheres,
construíram 8 casas na rua da misericórdia
e a construção do teatro “Santo
Estevam”.
Esta foi uma das administrações mais longas
e proveitosas devido aos esforços, de vontade
aliada à virtude, que constituía o traço
dominante do Barão; a caridade.
Deixou a situação financeira da Irmandade
em boas condições.
 |
Provedoria
do Dr.Francisco Morato
O
Dr. Francisco Morato foi provedor entre 15 de
agosto de 1909 e 3 de julho de 1910. Em sua administração
foram computados os imóveis da Santa Casa
por estimação e não por custo
como se fazia.
Provedoria
do Dr. Antônio Augusto de Barros Penteado
Eleito em 3 julho de 1910 o Dr. Antônio
Augusto de Barros Penteado ocupou o cargo até
15 de janeiro de 1914, em sucessivas reeleições.
No primeiro ano de administração
o provedor iniciou e terminou a construção
de um edifício na frente do velho hospital.
. Nesse edifício funcionava o vestíbulo,
salas de consultas, sala de curativos, depósito
de farmácia, enfermaria de operados, sala
de esterilização, sala de operação,
banheiro e gabinete sanitário.
Após a inauguração das novas
dependências a mesa administrativa resolveu
proceder uma reforma geral do hospital. A lotação
do hospital que era de 28 leitos, sendo que para
mulheres apenas seis camas, passou a ter 14 leitos,
separados das enfermarias masculinas que tinham
24 leitos para homens. No total, houve um aumento
de 16 leitos.
|
O Asilo de São Lázaro que não tinha
personalidade jurídica, portanto não tinha
Irmandade ou Estatuto, foi incorporado à Santa
Casa , que ficou com o encardo de a mantê-lo uma
dependência, nas mesmas condições
anteriores. 1913 Criou-se o cargo remunerado de capelo.
A provedoria de Antônio Penteado e o irmão
Oscarlino Dias organizaram o projeto de regimento interno
do Hospício Barão de Serra Negra e do
Asilo São Lázaro.
Provedor Dr.Oscarlino Dias
Foi eleito em 31 de janeiro
de 1815 e permaneceu no cargo até 1920. A diretoria
clínica continuava à cargo do Dr. Torquato
da Silva Leitão. A direção
do serviço econômico e administrativo estava
à cargo das irmãs dominicanas e portuguesas,
acordo firmado na gestão anterior, e substituídas
pelas irmãs franciscanas brasileiras.
A Inspetoria de Higiene exigiu que fossem feitas melhorias
no Asilo de São Lázaro. Apesar de terem
recursos financeiros para as obras, o Serviço
Sanitário não permitiu, deveriam centralizar
todo o serviço à profilaxia da lepra.Foram
feitas as reformas e ficou acertado que no novo edifício
do asilo a ser construído um pavilhão
para abrigar os leprosos
Provedor Dr. Coriolano Ferraz
do Amaral
Dr. Coriolano Ferraz do Amaral foi
eleito em assembléia geral ordinária,
em 18 de janeiro de 1920.
Surgiu nesta gestão a preocupação
em ampliar o hospital. As crescentes dificuldades que
a insuficiência de clientes no hospital vinha
criando, pelo pequeno número de lugares destinados
a pensionistas.
Com o intuito de se conseguir recursos para a construção
do outro hospital, foram feitas várias atividades
no centenário da independência. As festas
de 7 de setembro de 1922 foram programadas por uma comissão
nomeada pela mesa administrativa.
Aproveitando a boa vontade e entusiasmo por parte da
população piracicabana, a comissão
promoveu bailes, quermesses, espetáculos, jogos,
entre outras atividades.
Também em 1922, no mês de abril, foi decidido
em assembléia ordinária a autorização
para a mesa administrativa efetuar a venda de imóveis
do hospital, entre eles teatro Santo Estevam à
Câmara Municipal.
Na sessão da mesa administrativa de 5 de maio
de 1923 o provedor Dr. Coriolano Ferraz do Amaral comunicou
já ter escolhido o terreno para a construção
do novo hospital da Santa Casa.
Na avenida Independência, em terreno da chácara
do Coronel Antonio José Leste e da sra. D. Rosa
Pinto da Fonseca no dia 7 de setembro de 1923, conforme
a programado pela comissão de obras do novo hospital
aconteceu o assentamento da primeira pedra do novo hospital.
Estiveram presentes rodas as autoridades da cidade,
famílias piracicabanas e a grande massa popular.
Nesse período Piracicaba sofria com o aumento
do número de doentes leprosos. Esse fato levou
a mesa administrativa a propor ao governo do Estado
e a Santa Casa de misericórdia de São
Paulo, a construção no Leprosário
Modelo de Santo Angelo com o nome de “Piracicaba”,
para que nele fossem internados os doentes do município.
Por intermédio do sr. dr. Octavio Gonzaga, inspetor
sanitário do Estado, a direção
do hospital foi informada de que o governo tinha a intenção
de construir uma colônia central para os leprosos,
e que não seria permitido a instalação
de um novo asilo para leprosos. Ao Estado caberia a
centralização de todo o serviço
em um Leprosário Modelo, cuja planta já
estava confeccionada, para onde seriam removidos todos
os doentes leprosos, seriam fechados todos os asilos
existentes nos municípios. Sob os auspícios
da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,
fundou-se a “Associação Protetora
dos Morféticos” de São Paulo, que
obteve a doação de uma área, situada
nos campos de Santo Ângelo para a construção
do leprosário.
Posteriormente o governo do Estado devolveu à
Irmandade da Santa Casa de São Paulo o encargo
da construção do Leprosário Santo
Ângelo. As más condições
higiênicas do velho Asilo São Lázaro
e a impossibilidade de nele alojarem todos os leprosos
do município e de outras localidades. A mesa
administrativa recorreu s Câmara Municipal afim
de que a mesma interviesse junto ao governo do Estado
para que fosse construído no Leprosário
Santo Ângelo um pavilhão com o nome de
“Piracicaba”, atendendo ao município.
A preocupação principal era de prevenir
a população do contágio da doença.
Obras por Administração
oi nomeada uma comissão constituída
por membros da diretoria, incumbida de angariar donativos
na Capital e fora em benefício do novo hospital.
Relatório da Comissão de Obras do Novo
Hospital
Pelo relatório da Comissão de Obras do
novo Hospital, em 5 de janeiro de 1924, verificou-se
a doação pelo Coronel Antonio José
Leite e sua mulher Sebastiana Morato Leite, pela doação
de um terreno, contínuo ao adquirido anteriormente
pelo hospital. A área era de aproximadamente
20,526 metros quadrados com mais de cem metros de frente
para a avenida Independência.
O Coronel Bento Lacerda Filho, além de fazer
doações em dinheiro, se prontificou a
fornecer a madeira necessária para as obras e
janelas do pavilhão cirúrgico.
O Coronel José Leite e o Coronel Bento Lacerda
foram homenageados com retratos na sala nobre e tiveram
seus nomes gravados em pavilhões do novo edifício.
As obras de 1924
Durante o ano de 1924 continuavam os trabalhos de construção
do novo edifício na avenida independência.
O ônus do Hospital São
Lázaro.
Foi
nomeada em reunião do dia 10 de janeiro de 1925,
uma comissão para negociar com a prefeitura e
a Câmara Municipal as despesas do Asilo, pois
manutenção ocasionava ônus à
Irmandade. A comissão teve a promessa de que
a câmara municipal tratava do assunto e solucionaria
o caso.
Na mesma sessão foi eleita a mesa administrativa
para o ano de 1925, sendo reeleito o provedor Dr. Coriolano.
Deixava o cargo Ignacio Florencio da Silveria , tesoureiro
desde 1916
Homenagem Póstuma.
Foi
o quadro do Dr. Oscarlino Dias, na sala de entrada da
Santa Casa de Misericórdia, como gratidão
aos serviços prestados como provedor de 1915
à 1919.
O Emprestimo à
Câmara Municipal
A Santa casa emprestou à Câmara Municipal
a quantia recebida em 13 de novembro de 1926, da comissão
de festas pró-Lázaros.
Grandes festejos em beneficio
da Santa Casa.
Foram promovidas grandes festas no pitoresco jardim
da Praça Rezende, bailes no Clube Piracicabano,
espetáculos, festas esportivas e outras diversões,
para arrecadar recursos e dar continuidade as obras
de construção do novo hospital. As atividades
como sempre tiveram ampla participação
do povo piracicabano.
O doutor Coriolano Ferraz do Amaral nasceu em Piracicaba
no dia 30 de Julho de 1870. Formou-se em medicina pela
Universidade da Bahia em dezembro de 1896 e foi provedor
da Santa Casa entre 1920 e 1946. Antes disso, teve marcada
atuação política na cidade. Foi
vereador por quatro vezes consecutivas, deputado estadual,
e em 1920 elegeu-se à deputado federal. Na Santa
Casa foi médico ambulatorial, chefe da enfermaria,
diretor clínico e provedor, cargo assumido em
janeiro de 1920. Permaneceu até 1946 no comando
da Irmandade, quando adquiriu, através de doações
e compras, a área de 60 mil m2 inaugurando o
prédio da Avenida Independência, que abriga
a instituição até os dias atuais.
Natural de Santa Rita do Passa Quatro, doutor Nelson
Meireles, formou-se em farmácia em 1922 e em
medicina em 1930 pela Faculdade de Medicina do Rio de
Janeiro, onde trabalhou até 1932, quando retornou
a Piracicaba. Em 1934 passa a integrar o Corpo Clínico
da Santa Casa de Piracicaba, mais tarde elege-se diretor
clínico da Irmandade. Se consagra provedor em
1946, cargo que ocupou por 17 anos seguidos, até
1963. À frente da Mesa administrativa inaugurou
o sistema de PABX, o pavilhão de isolamento,
o banco de sangue e o serviço de atendimento
noturno. Em sua gestão foram criados os cargos
de médico interno e de anestesista. Promoveu
também a construção da sala de
ortopedia e traumatologia, construiu a maternidade MB
na década de 50, e modernizou o centro cirúrgico.
Doutor Nelson Meireles nasceu em 1904 e faleceu em 1978,
vítima de enfarto fulminante.
Provedor de 1965 a 1969, Franscisco Munhoz teve como
principais iniciativas a implantação do
sistema de ar condicionado no centro cirúrgico
e início da construção do Hospital
Santa Isabel, em meados da década de 70. De 72
a 75 foi mesário da Irmandade, logo em seguida
segundo tesoureiro e, em 1978 retorna à provedoria
como vice provedor da Santa casa até 1981. Franscisco
Munhoz nasceu em Piracicaba em 12 de setembro de 1911,
cidade onde vive atualmente.
Pertencente à família de aviadores, Fleury
Bottene tornou-se em 1945 o primeiro controlador do
tráfego aéreo do I Contingente da Aeronáutica
Brasileira, servindo durante a segunda grande guerra.
Piracicabano, nascido em 02 de setembro de 1922, Fleury
Bottene elevou o nome de Piracicaba, seu pioneirismo
na aviação fez com que recebesse em 45,
a chave da cidade de São Paulo.
Na Irmandade foi vice-provedor no período de
1965 a 1969, quando assumiu o cargo de provedor até
1972. Na provedoria foi responsável pela reforma
das alas de enfermagem, instalação do
necrotério, asfaltamento do pátio do velório,
instalação de uma unidade respiratória
e aquisição de estufas para esterilização
de materiais. Mais tarde, inaugura novas instalações
do necrotério e salas no velório. Em seguida
passou pelos cargos de mesário e tesoureiro da
Santa Casa.
1972 à 1990.
De 1972 à 1990, a Santa Casa de Piracicaba teve
como provedores os senhores, Comendador Antonio Romano,
Dr. Joaquim Mário Pereira Pires, Ide Choairy.
Nesse período o hospital passou por autos e baixos,
as crises eram intensas e o hospital não conseguia
manter o equilíbrio necessário à
manutenção dos bons serviços. Greves
de funcionários, descontentamento do corpo clínico
e protestos de fornecedores eram constantes, transformando
a possibilidade de suspensão do atendimento numa
ameaça iminente.
1990 à 1999.
Em 1990 volta como provedor Joaquim Mário Pires
Ferreira. Com uma administração aberta
e participativa, esse período foi excepcional
para o hospital. Ao longo de nove anos , a instituição
se transformou, absorvendo tecnologia e qualificando
sua mão-de-obra, num esforço gigantesco
para aliar ciência e avanço tecnológico
à melhora constante do atendimento. Aos 145 anos
e com 335 leitos, dos quais 202 destinados ao Sistema
Único de Saúde- SUS, a Santa Casa de Piracicaba
impõe respeito. A Santa Casa é numa instituição
que soube transformar as dificuldades em desafios e
consolidar-se enquanto uma das entidades mais atuantes
e respeitadas no âmbito da saúde. Eleita
e empossada em 16 de março de 1990, a diretoria
da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de
Piracicaba iniciou suas atividades em um ano cheio de
turbulências, agravadas pelas confusões
generalizadas do Plano Collor e pelo o sucateamento
nacional da rede hospitalar. Feito o diagnóstico,
optou-se por reformulações urgentes na
sua estrutura administrativa. Era preciso harmonizar
o funcionamento dos setores, criando um clima satisfatório
de trabalho.
O processo de informatização, para agilização
dos serviços, também teve início
neste período, quando alterou a maneira de processar
os dados relativos às contas do hospital, completamente
distorcidas.
Até os problemas pareciam contribuir. O movimento
paredista, coordenado em 90 pelo Sindicato dos Empregados
no Serviço da Saúde, por exemplo, levou
ao estreitamento das relações entre a
diretoria e os funcionários da Santa Casa. Ao
invés de aumentos substancias nos salários,
medida distante das possibilidades do hospital naquele
momento, o resultado foi a criação de
uma Caixa Beneficente, administrada pelos próprios
funcionários. OS funcionários passaram
a receber também a cesta básica e o vale-transporte.
O hospital importou aparelhos de ultra-sonografia, reformou
e ampliou a central de esterilização de
materiais, a UTI, a farmácia, o laboratório
de análises clínicas, o pavilhão
C, o almoxarifado e o pavilhão de psiquiatria;
concluiu a portaria do Santa Isabel e as adaptações
necessárias à instalação
e funcionamento dos serviços de radiologia e
ultra-sonografia.
|